A juíza Sueli Zeraik que atua na 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC) de Taubaté, em São Paulo, acabou tomando uma decisão que provou que tudo sempre se encaixa. Isso porque Zeraik tomou uma decisão de juntar quem dá amor, que são os animais, com quem precisa receber, que são os detentos.

Esse projeto que foi aprovado é uma tentativa para resolver a superlotação do Centro de Zoonoses (CCZ) de Taubaté. Com isso, dois presídios de Tremembé receberão cães e gatos enquanto um novo abrigo com capacidade para 200 animais está sendo construído.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), os canis serão construídos por 10 detentos no Pemano, que abriga presos do regime semiaberto, e no P1, que é conhecido por abrigar os presos de casos com mais repercussão. As obras começaram no dia 17/07 e segundo informações, irão durar cerca de 4 meses. Ainda não foi previsto quantos animais poderão ser abrigados nos locais.

Outros detentos desses presídios serão responsáveis pelo banho, tosa e adestramento dos animais e quem praticar esses serviços poderá ter pena reduzida. “Isso vai ajudar os presos a terem trabalho e diminuir o número de animais abandonados em Taubaté”, explicou o diretor geral da P1, André Luiz Bolognin, ao “Portal de Notícias G1”.

Segundo Zeraik, esse contato entre animais e presos acaba criando um certo afeto, carinho e a reaproximação com as pessoas. “Lendo um artigo sobre a naturalidade do amor animal, achei que seria interessante unir os dois: quem dá amor, que é o animal, e quem precisa receber, que é o detento. A expectativa é de que o projeto dê certo”, explicou ao G1.

Atualmente, o CCZ de Taubaté abriga cerca de 500 animais, um número bastante elevado. Vale ressaltar que apenas 30 desses animais conseguem ser adotados por mês. Com esse novo projeto em vigência, eles esperam que esse número de adoção aumente pois os animais que ficarão nos cuidados dos detentos poderão ser adotados pelos familiares dos mesmos e até pela população. Todos os moradores da região poderão ter acesso ao canil sem precisar entrar no presídio.

“O projeto é importante porque quando o detento sair do regime fechado pode existir a possibilidade dele trabalhar com animais. Além disso, vai desafogar o CCZ e permitir que possamos nos dedicar melhor a investigação dos casos de zoonoses”, explicou o coordenador do CCZ, José Antônio Cardoso.

É uma ideia mais do que ótima. Com o cuidado aos animais, aprendemos a ter afeto, carinho, dar e receber o amor ao próximo.